{"id":131,"date":"2017-03-16T11:15:43","date_gmt":"2017-03-16T14:15:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www2.unicentro.br\/pet-letras\/?p=131"},"modified":"2017-03-16T11:15:43","modified_gmt":"2017-03-16T14:15:43","slug":"resumo-das-obras-do-vestibular-2017","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.unicentro.br\/pet-letras\/2017\/03\/16\/resumo-das-obras-do-vestibular-2017\/","title":{"rendered":"Resumo das obras do vestibular 2017"},"content":{"rendered":"<p>Viagem no Espelho &#8211; Helena Kolody<\/p>\n<p>Autora: A poeta Helena Kolody, filha de imigrantes ucranianos, \u00e9 um dos nomes mais expressivos da poesia contempor\u00e2nea paranaense. Nascida no dia 12 de outubro de 1912, com apenas 16 anos seu primeiro poema fora publicado, intitulado &#8220;A L\u00e1grima&#8221;. Com 20 anos de idade Helena iniciou a carreira de professora. Seu primeiro livro publicado, \u201cPaisagem Interior\u201d, foi dedicado a seu pai, em seq\u00fc\u00eancia foram publicados: &#8220;M\u00fasica Submersa&#8221;, &#8220;A Sombra do Rio&#8221;, &#8220;Vida Breve&#8221;, &#8220;Era Espacial&#8221; e &#8220;Trilha Sonora&#8221;, &#8220;Tempo&#8221;, &#8220;Correnteza&#8221;, &#8220;Infinito Presente&#8221;, &#8220;Sempre Palavra&#8221;, &#8220;Poesia M\u00ednima&#8221;, &#8220;Viagem no Espelho&#8221;, &#8220;Ontem Agora&#8221;, &#8220;Reika&#8221;.<br \/>\nNas primeiras obras percebe-se que a poeta vai se encaminhando cada vez mais para a poesia \u00edntima, confessional e auto-indagadora em que predomina o subjetivismo, a introspec\u00e7\u00e3o e o mergulho no mundo interior.<br \/>\nEntretanto, em suas obras posteriores, nota-se que aos poucos seus poemas v\u00e3o se tornando sint\u00e9ticos, condensados. Vale destacar que j\u00e1 em sua primeira obra s\u00e3o publicados tr\u00eas haicais: \u201cPris\u00e3o\u201d, \u201cArco-\u00cdris\u201d e \u201cFelicidade\u201d. O haicai \u00e9 uma forma de poesia japonesa, caracterizado por seus pequenos poemas de tr\u00eas versos, com cinco, sete, e cinco s\u00edlabas po\u00e9ticas sucessivamente.<br \/>\nConhecida como grande poetisa, que conciliava perfeitamente a experi\u00eancia da subjetividade com a objetividade, faleceu em 2004 aos 92 anos de idade.<\/p>\n<p>Obra: \u201cViagem no Espelho\u201d \u00e9 uma antologia da poetisa Helena Kolody, reunindo livros publicados pela autora, de 1941 a 1986. Essa produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria \u00e9 considerada uma viagem ao contr\u00e1rio, como se fosse um espelho, pois os poemas aparecem em ordem inversa, iniciando-se pelos mais recentes at\u00e9 chegar aos primeiros. Justificando assim o t\u00edtulo da obra.<br \/>\n\u00c9 um livro que representa a poesia breve, portanto, nela predominam os poemas curtos. Simpatizante do haicai, Helena tem o poder de transformar sua sabedoria de vida em poemas bel\u00edssimos, ainda que seus temas possam ser densos e tr\u00e1gicos.<br \/>\nO \u201ceu l\u00edrico\u201d em viagem no espelho v\u00ea a vida como um mist\u00e9rio e o simples fato de existir o fascina. A concentra\u00e7\u00e3o verbal dos haicais kolodyanos trabalha com muito lirismo e apresenta uma sonoridade r\u00edtmica que \u00e9 marcada pelo processo de elabora\u00e7\u00e3o criativa e l\u00fadica. Os poemas de Reika exploram a metapoesia, ou seja, o poema diante de si mesmo. Kolody, como poetiza vigorosa, concilia perfeitamente subjetividade e objetividade, emo\u00e7\u00e3o e raz\u00e3o, com poemas densos de significado, numa atualiza\u00e7\u00e3o constante em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 modernidade.<br \/>\nNessa obra, seus poemas s\u00e3o sugestivos e cheios de imagina\u00e7\u00e3o, intelectuais e emotivos, sintetizados e modernos, marcados por uma procura sem\u00e2ntica inventiva de m\u00faltiplos sentidos. Percebemos a presen\u00e7a eminente de sentimentos de fugacidade, transitoriedade, temporalidade, mutabilidade, esperan\u00e7a e procura. Cada livro com caracter\u00edsticas pr\u00f3prias, formando um todo cheio de significados como podemos observar na sequ\u00eancia abaixo:<br \/>\nReika: \u00c9 o que inicia a obra \u201cViagem no Espelho\u201d. Composto principalmente por haicais e tankas, o tema mais explorado aqui, \u00e9 a forte presen\u00e7a da natureza.<br \/>\nOntem Agora: S\u00e3o poemas curtos (haicais e epigramas), contendo tamb\u00e9m alguns mais longos, trabalhando com ant\u00edteses e uma ironia latente.<br \/>\nPoesia M\u00ednima: Trabalha com a metapoesia em formas po\u00e9ticas breves, temos a metalinguagem e um \u201ceu l\u00edrico\u201d inspirado que fala sobre a alitera\u00e7\u00e3o e a incapacidade das palavras ao expressarem uma poesia.<br \/>\nSempre Palavra: Aqui a fugacidade predomina, a ideia de efemeridade (tema comum a muitos simbolistas e neossimbolistas) \u00e9 trabalhada com temas considerados essenciais como a vida, o amor e a inconst\u00e2ncia do sentimento humano.<br \/>\nInfinito Presente: Nas poesias desse livro, percebe-se a depress\u00e3o pessoal, tristeza e nostalgia, representadas por um \u201ceu l\u00edrico\u201d perturbado com sua exist\u00eancia.<br \/>\nSaga: Os poemas s\u00e3o variados, muitos com versos brancos, linguagem bastante metaf\u00f3rica e impress\u00f5es intimistas.<br \/>\nTempo: Na obra toda, o tema b\u00e1sico \u00e9 o tempo, por\u00e9m nesse livro ele predomina, trazendo consigo a efemeridade (esfera do tempo) e religiosidade, com temas b\u00edblicos e lirismo intimista.<br \/>\nTrilha Sonora: Neste vemos cenas da natureza em relevo, contrastando com a vida urbana, \u00e9 a transitoriedade do progresso modificando a paisagem.<br \/>\nEra Espacial: Um \u201ceu l\u00edrico\u201d angustiado com o progresso tirando a beleza e a gra\u00e7a das coisas naturais.<br \/>\nVida Breve: Outra vez ela retoma o tema da brevidade, do ex\u00edlio e da espiritualidade.<br \/>\nA Sombra do Rio: Os poemas se sobressaem com o tema da espiritualidade, o desejo de comunh\u00e3o com Deus, h\u00e1 referencias \u00e0 origem eslava e aos imigrantes e fortes lembran\u00e7as buc\u00f3licas da inf\u00e2ncia. Dedica neste um poema a seus alunos.<br \/>\nMusica Submersa: Aqui a influ\u00eancia religiosa ucraniana da autora \u00e9 forte, intimista e espiritualista. Ela transmite em seus poemas humildade e vis\u00e3o de deus. Parece crer numa predestina\u00e7\u00e3o para a dor. Presen\u00e7a de poemas mais longos em contraste com alguns breves.<br \/>\nPaisagem Interior: Esse livro encerra a obra \u201cViagem no Espelho\u201d e marca o in\u00edcio da carreira de Helena Kolody como poeta. A linguagem \u00e9 bastante metaf\u00f3rica e simb\u00f3lica. Possui um transcendentalismo, um forte sentimento de humildade e reconhecimento de um atavismo ancestral. O temperamento da autora ao escrever, oscila entre soltar-se e reprimir-se. Seus pensamentos de natureza selvagem embatem com a religi\u00e3o e a opress\u00e3o de sua \u00e9poca, num desejo constante de liberdade. Aqui ela fala de amor e paix\u00e3o por meio de um \u201ceu l\u00edrico\u201d sentimental. Os poemas s\u00e3o longos e predominantes da forma cl\u00e1ssica dos versos regulares. H\u00e1 tamb\u00e9m uma forte conex\u00e3o sangu\u00ednea e espiritual com sua p\u00e1tria de origem (Ucr\u00e2nia), ela eleva a hist\u00f3ria do seu povo e vemos o tema da migra\u00e7\u00e3o definida pelo \u201ceu l\u00edrico\u201d como uma luta dolorosa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quarto de despejo &#8211; Di\u00e1rio de uma favelada por Carolina Maria de Jesus<br \/>\nA autora: Carolina Maria de Jesus nascida do interior de Minas Gerais em 1914. Com a ajuda financeira de um rico fazendeiro conseguiu iniciar os estudos aos 7 anos de idade, por\u00e9m teve de abandonar a escola no segundo ano. Ap\u00f3s a morte de sua m\u00e3e, migrou para S\u00e3o Paulo, e acabou por construir sua pr\u00f3pria casa feita de peda\u00e7os de madeira, lata e papel\u00e3o na favela do Canind\u00e9, um ambiente violento e prec\u00e1rio<span class=\"text_exposed_show\">. Carolina sustentava os 3 filhos coletando e vendendo papel. Mulher independente nunca desejou se casar (apesar dos envolvimentos amorosos que teve) por presenciar frequentemente casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica. Parte do papel que encontrava guardava para poder escrever, apesar do n\u00edvel baixo de instru\u00e7\u00e3o, Carolina escreveu 58 cadernos com di\u00e1rios, 7 romances, 60 textos curtos, 100 poemas, 4 pe\u00e7as de teatro e 12 letras para marchas de carnaval.<\/span><\/p>\n<div class=\"text_exposed_show\">\n<p>A obra: Quarto de despejo (1960) foi organizado pelo rep\u00f3rter Aud\u00e1lio Dantas dois anos ap\u00f3s seu encontro com Carolina e a descoberta dos cadernos. Publicado em um per\u00edodo onde o cen\u00e1rio da literatura brasileira estava sofrendo o impacto de autores como Clarice Lispector e Guimar\u00e3es Rosa. A obra se encaixa em um per\u00edodo que Alfredo Bosi chamaria de \u201cbrutalista\u201d, por tratar (no caso de Quarto de despejo) empiricamente a agressividade da vida na cidade grande. Dantas apesar das edi\u00e7\u00f5es e omiss\u00f5es de alguns trechos, procurou manter-se fiel \u00e0 escrita original, reproduzido at\u00e9 mesmo erros ortogr\u00e1ficos. Neles, Carolina retrata de maneira crua a dura realidade do Canind\u00e9, as brigas com e entre os vizinhos, a dificuldade de criar os filhos, e atrav\u00e9s de sua pr\u00f3pria experi\u00eancia temos um realista retrato social e pol\u00edtico da \u00e9poca. A autora conta fatos de se cotidiano, desde levantar cedo para buscar \u00e1gua, cozinhar feij\u00e3o nas latas ou at\u00e9 mesmo colocar os filhos na cama com fome quando n\u00e3o havia dinheiro suficiente para comprar alimento para o dia. Infelizmente, Quarto de despejo \u00e9 uma obra atemporal, visto que a mis\u00e9ria da favela ainda \u00e9 uma realidade existente nos dias de hoje. \u00c9 not\u00e1vel na obra as considera\u00e7\u00f5es que a autora faz sobre ela mesma e os outros moradores do Canind\u00e9, sempre afirmando ser diferente de todos eles. O preconceito \u00e9 vis\u00edvel em suas diferentes faces: por ser mulher, m\u00e3e,solteira, pobre e at\u00e9 mesmo dentro da pr\u00f3pria favela, por ser alfabetizada.<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>V\u00e1rias Hist\u00f3rias<\/p>\n<p>Autor<\/p>\n<p>Joaquim Maria Machado de Assis nasceu em 21 de junho de 1839, na cidade do Rio de Janeiro. Filho de fam\u00edlia pobre e mulato, sofreu preconceito, e perdeu a m\u00e3e na inf\u00e2ncia, sendo criado pela madrasta. Apesar das adversidades, conseguiu se instruir. Em 1856 entrou como aprendiz de tip\u00f3grafo na Tipografia Nacional. Posteriormente atuou como revisor, colaborou com v\u00e1rias revistas e jornais, e trabalhou como funcion\u00e1rio p\u00fablico. Foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras. Algumas de suas obras s\u00e3o Mem\u00f3rias P\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas, Quincas Borba, O Alienista, Helena, Dom Casmurro e Memorial de Aires. Faleceu em 29 de setembro de 1908.<\/p>\n<p>Contexto Hist\u00f3rico<\/p>\n<p>V\u00e1rias hist\u00f3rias foi publicado em 1896, fazendo parte do per\u00edodo realista de Machado de Assis. Os contos da obra s\u00e3o profundamente marcados pela an\u00e1lise psicol\u00f3gica das personagens, al\u00e9m da erudi\u00e7\u00e3o e intertextualidade que transparecem, como por ex., refer\u00eancias \u00e0 m\u00fasica cl\u00e1ssica, a cl\u00e1ssicos da literatura, bem como a hist\u00f3rias b\u00edblicas. Muitos apresentam um tom pessimista. A maior parte das hist\u00f3rias se passa no Brasil do s\u00e9c. XIX, sobretudo na segunda metade do s\u00e9culo, de modo que os contos retratam bem o contexto sociocultural da \u00e9poca.<\/p>\n<p>A Obra<\/p>\n<p>V\u00e1rias hist\u00f3rias \u00e9 uma colet\u00e2nea de 16 contos. Segue-se o resumo das hist\u00f3rias.<br \/>\n\u201cA cartomante\u201d \u00e9 sobre o tri\u00e2ngulo amoroso envolvendo Vilela, Camilo e Rita. Vilela e Camilo s\u00e3o amigos. Vilela e Rita s\u00e3o casados. Rita e Camilo s\u00e3o amantes. Rita, certa vez, consulta uma cartomante sobre Camilo, a qual a alivia dizendo que Camilo a ama. Um dia, Camilo \u00e9 intimado por Vilela a ir \u00e0 casa do casal. Apesar do receio, vai. Por conta de um acidente, ele para em frente da casa da cartomante. Resolve ent\u00e3o consult\u00e1-la. Ela diz que nada de mal acontecer\u00e1. Camilo chega \u00e0 casa de Vilela, mas a previs\u00e3o da cartomante se mostra equivocada: Rita est\u00e1 morta no ch\u00e3o, e Vilela o mata.<br \/>\nO segundo conto \u00e9 \u201cEntre santos\u201d, em que um velho padre narra um milagre que viu anos atr\u00e1s. Numa noite, cinco santos da igreja, vivificados, contam entre si as ora\u00e7\u00f5es feitas pelos fi\u00e9is no dia. A principal narrativa \u00e9 de S. Francisco de Sales: \u00e9 sobre Sales, um avaro e usur\u00e1rio, cuja mulher est\u00e1 \u00e0 beira da morte, e vai \u00e0 igreja para pedir intercess\u00e3o divina para ela. Por sua disposi\u00e7\u00e3o de avaro e usur\u00e1rio, prefere prometer mil padre-nossos e mil ave-marias ao inv\u00e9s de gastar dinheiro com alguma outra promessa.<br \/>\n\u201cUns bra\u00e7os\u201d \u00e9 sobre a paix\u00e3o juvenil de In\u00e1cio, um rapaz de quinze anos, por D. Severina, esposa de seu patr\u00e3o, Borges. D. Severina acaba descobrindo a paix\u00e3o do jovem, mas mant\u00e9m o segredo. Num dia, estando ela sozinha com o rapaz, que dormia, d\u00e1 um beijo nele. Mas ningu\u00e9m descobre. No fim, Borges despede o rapaz.<br \/>\n\u201cUm homem c\u00e9lebre\u201d \u00e9 a hist\u00f3ria de Pestana, compositor de polcas famoso nas redondezas. Suas polcas s\u00e3o tocadas por toda a cidade, mas o que ele mais quer \u00e9 se equiparar aos grandes compositores, como Mozart. Pestana se casa com uma vi\u00fava cantora, e acredita que com a mulher conseguir\u00e1 realizar seu sonho. Mas sua ambi\u00e7\u00e3o de compor algo grande sempre fracassa.<br \/>\nEm \u201cA desejada das gentes\u201d, um conselheiro conta sua hist\u00f3ria de juventude com Quint\u00edlia, a jovem mais bonita da cidade. Ela era muito bonita, atraindo muitos pretendentes, mas recusa todos. O conselheiro e Quint\u00edlia se tornam \u00edntimos amigos. Ela promete nunca se casar, mas acaba se casando com ele quando est\u00e1 \u00e0 beira da morte.<br \/>\n\u201cA causa secreta\u201d \u00e9 a hist\u00f3ria de Garcia, Fortunato e Maria Lu\u00edsa. Garcia e Fortunato s\u00e3o amigos. Fortunato \u00e9 casado com Maria Lu\u00edsa. Fortunato funda uma casa de sa\u00fade, onde trabalha muito. Ele \u00e9 s\u00e1dico, fazendo, por ex., experimentos com animais. Garcia se apaixona por Maria Lu\u00edza, mas ela n\u00e3o trai seu marido.<br \/>\n\u201cTrio em l\u00e1 menor\u201d \u00e9 dividido em quatro partes como uma sonata. \u00c9 a hist\u00f3ria de um trio: uma mo\u00e7a, Maria Regina, e seus dois pretendentes, Maciel e Miranda. Ela \u00e9 apaixonada pelos dois, e os dois por ela, mas ela n\u00e3o se decide por um apenas; ao contr\u00e1rio, se mant\u00e9m fantasiando um homem perfeito. No fim, ela acaba sozinha.<br \/>\nEm \u201cAd\u00e3o e Eva\u201d, o juiz-de-fora Veloso conta uma hist\u00f3ria alternativa do Jardim do \u00c9den. Segundo Veloso, o mundo \u00e9 cria\u00e7\u00e3o conjunta de Deus com o Tinhoso, tendo este come\u00e7ado a criar. O homem re\u00fane instintos maus e a alma divina. Odiando Ad\u00e3o e Eva, o Tinhoso os tenta, por meio da serpente, para comer da \u00e1rvore da ci\u00eancia do bem e do mal. Ad\u00e3o e Eva rejeitam a tenta\u00e7\u00e3o, e s\u00e3o levados para morar no c\u00e9u.<br \/>\nEm \u201cO enfermeiro\u201d, Proc\u00f3pio conta sua hist\u00f3ria como enfermeiro do coronel Felisberto. O coronel era conhecido por sua crueldade e maus-tratos aos empregados. O coronel trata Proc\u00f3pio muito mal. Proc\u00f3pio acaba matando o coronel n\u00e3o propositalmente. Proc\u00f3pio sente remorso, mas ningu\u00e9m descobre, e ele se torna herdeiro da fortuna de Felisberto, uma vez que o coronel o nomeara em seu testamento.<br \/>\n\u201cO diplom\u00e1tico\u201d \u00e9 a hist\u00f3ria de Rangel, chamado de \u201co diplom\u00e1tico\u201d, um quarent\u00e3o solteiro que anseia por se casar. Numa comemora\u00e7\u00e3o de S. Jo\u00e3o, ele tem interesse por Joaninha, filha do dono da casa. Mas chega inesperadamente um rapaz, Queir\u00f3s, que atrai a aten\u00e7\u00e3o de todos, inclusive de Joaninha. Isso frustra Rangel. Joaninha fica interessada por Queir\u00f3s, e Rangel a perde para ele.<br \/>\nEm \u201cMariana\u201d, Evaristo volta, depois de v\u00e1rios anos, da Fran\u00e7a para o Brasil, ao saber do fim da monarquia. Ele decide rever Mariana, seu amor de juventude, esperando que ela ainda o ame. Mas ele descobre que Mariana o n\u00e3o ama mais. Ela se casou, e ama seu marido, Xavier, que se encontra ent\u00e3o \u00e0 beira da morte. Ele volta \u00e0 Fran\u00e7a.<br \/>\nEm \u201cConto de escola\u201d, o menino Pilar recebe de Raimundo, filho do professor, uma moeda de prata para ajud\u00e1-lo nas mat\u00e9rias. No entanto, seu colega, Curvelo, dedura-os para o professor, e ambos, Pilar e Raimundo, s\u00e3o castigados.<br \/>\n\u201cUm ap\u00f3logo\u201d \u00e9 o conto de um novelo de linha e de uma agulha da costureira de uma baronesa, que discutem sobre quem \u00e9 mais importante na costura. A agulha se vangloria por ir \u00e0 frente enquanto a costureira trabalha. Mas, no fim, \u00e9 a linha que vai \u00e0 festa na roupa da baronesa, enquanto a agulha serve s\u00f3 para abrir caminho para a linha.<br \/>\nEm \u201cD. Paula\u201d, Venancinha e Conrado, casados, brigam por conta do envolvimento de Venancinha com o filho de Vasco Maria Portela. A tia do casal, D. Paula, intercede para concili\u00e1-los. D. Paula descobre que o Vasco pai \u00e9 o mesmo com que se envolveu na juventude, e, enquanto aconselha a sobrinha, relembra o passado.<br \/>\n\u201cViver!\u201d \u00e9 a hist\u00f3ria de Ahasverus, o \u00faltimo homem. Ahasverus foi condenado a vagar eternamente pelo mundo por ter injuriado Jesus, quando Ele passava por sua casa para ser crucificado. Ahasverus odeia a vida por ver tanto sofrimento, mas encontra Prometeu, que o convence de que o mundo tem sua face boa e que haver\u00e1 um novo mundo, em que Ahasverus ser\u00e1 o rei. Todavia, tudo n\u00e3o passa de del\u00edrios de Ahasverus.<br \/>\nEm \u201cO c\u00f4nego ou Metaf\u00edsica do estilo\u201d, um c\u00f4nego tenta escrever um serm\u00e3o. Enquanto isso, o narrador exp\u00f5e a \u201cmetaf\u00edsica do estilo\u201d: segundo ele, todas as palavras t\u00eam sexo, sendo os substantivos masculinos, e os adjetivos, femininos. Eles se amam, e sua uni\u00e3o forma um dado estilo. A busca por inspira\u00e7\u00e3o, que o c\u00f4nego faz durante uma pausa, \u00e9 vista como um mergulho na inconsci\u00eancia, sendo seu conte\u00fado os obst\u00e1culos para a uni\u00e3o dos casais de palavras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>La\u00e7os de Fam\u00edlia \u2013 Clarice Lispector<\/p>\n<p>Autora:<br \/>\nAs obras de Clarice Lispector fazem parte do Romance de 30, no qual poucos nomes sustentavam a acad\u00eamica fic\u00e7\u00e3o e sendo quase todos remanescentes do chamado Romance do Nordeste, outra pequena parte eram intituladas como romances psicol\u00f3gicos, intimistas, ao qual Clarice integrava o movimento.<br \/>\nInterressando sua literatura num mundo subjetivo, de sensa\u00e7\u00f5es e emo\u00e7\u00f5es, Clarice transmite ao leitor o conhecimento do mudo que \u00e9 dado<span class=\"text_exposed_show\"> aos personagens de forma sensorial, ou seja, o drama psicol\u00f3gico. Trabalhando em sua obra grande parte com o narrador em terceira pessoa, Clarice Lispector consegue uma maior autonomia de seus personagens, rompendo com a narrativa \u201cmemorial\u00edstica\u201d da primeira pessoa, em que os personagens s\u00e3o trabalhados de forma em que prevalece o uso de \u201ctabus\u201d e a \u201cheran\u00e7a intelectural\u201d dos escritores anteriores, Clarice \u00e9 uma leitora de James Joyce, portanto sua escrita \u00e9 subjetiva em que h\u00e1 predomin\u00e2ncia do fluxo de consci\u00eacia dos personagens.<\/span><\/p>\n<div class=\"text_exposed_show\">\n<p>Contexto Hist\u00f3rico:<\/p>\n<p>La\u00e7os de Fam\u00edlia \u00e9 o primeiro livro de contos de Clarice Lispector, publicado em 1960. Nele, est\u00e3o reunidos 13 contos com tem\u00e1tica no processo de aprisionamento dos indiv\u00edduos por meio dos &#8220;la\u00e7os de fam\u00edlia&#8221;, da pris\u00e3o dom\u00e9stica, do cotidiano. Esses contos quebram com os padr\u00f5es conformistas dos romances escritos anteriormente.<br \/>\nA vis\u00e3o interna dos personagens dos contos desta obra em rela\u00e7\u00e3o ao mundo real, Clarice usa uma linguagem rica de sugest\u00f5es, cheia de achados expressionais, que a colocam ao lado de Guimar\u00e3es Rosa no quesito renova\u00e7\u00e3o da linguagem liter\u00e1ria.<\/p>\n<p>Resumo da obra:<\/p>\n<p>La\u00e7os de Fam\u00edlia \u00e9 o primeiro livro de contos de Clarice Lispector, publicado em 1960. Nele, est\u00e3o reunidos 13 contos com tem\u00e1tica no processo de aprisionamento dos indiv\u00edduos por meio dos &#8220;la\u00e7os de fam\u00edlia&#8221;, da pris\u00e3o dom\u00e9stica, do cotidiano. Esses contos quebram com os padr\u00f5es conformistas dos romances escritos anteriormente.<br \/>\nA vis\u00e3o interna dos personagens dos contos desta obra em rela\u00e7\u00e3o ao mundo real, Clarice usa uma linguagem rica de sugest\u00f5es, cheia de achados expressionais, que a colocam ao lado de Guimar\u00e3es Rosa no quesito renova\u00e7\u00e3o da linguagem liter\u00e1ria.<\/p>\n<p>Refer\u00eancias:<br \/>\nBRASIL, Assis, Clarice Lispector; Ensaio. Rio de Janeiro: 1932, Ed.Organiza\u00e7\u00e3o Sim\u00f5es.<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;O PAGADOR DE PROMESSAS&#8221;, DE DIAS GOMES.<\/p>\n<p>SOBRE O AUTOR:<br \/>\nAlfredo de Freitas Dias Gomes (1922-1999) nasceu em Salvador, Bahia, no dia 19 de outubro de 1992. Escreveu a \u201cCom\u00e9dia dos Moralistas\u201d, sua primeira pe\u00e7a teatral aos 15 anos. A pe\u00e7a foi premiada no Concurso do Servi\u00e7o Nacional de Teatro em 1939, embora nunca tenha sido encenada.<br \/>\nEm 1942 foi encenada a pe\u00e7a \u201cP\u00e9 de Cabra&#8221;, que foi censurada pelo Estado Novo, regime ditatorial implantado pelo presidente Get\u00falio Vargas, por ser considerada de conte\u00fado marxista. Com seus textos censurados, passou a escrever radionovelas, nos anos 50, mas deixou de exercer a atividade com a chegada da ditadura militar em 1964.<br \/>\nDias Gomes sempre se considerou um dramaturgo, mas a destreza para escrever di\u00e1logos vividos por tipos populares foi o passaporte para ser chamado para o cinema e a TV. Escritas nos anos de 1960, \u201cO Pagador de Promessas\u201d e o \u201cBem Amado\u201d, s\u00e3o as principais pe\u00e7as que chegaram ao cinema e \u00e0 TV. \u201cO Pagador de Promessas\u201d, que ele mesmo adaptou para o cinema em 1962, recebeu a Palma de Ouro do Festival de Cannes de 1962.<br \/>\nNo final da carreira, Dias Gomes passou a se dedicar aos textos mais breves, alegando que \u201cUma novela \u00e9 o caminho mais curto para um enfarte\u201d. Em 1991 Dias Gomes foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras, para a cadeira n. 21.<br \/>\nDias Gomes faleceu em S\u00e3o Paulo, em um acidente automobil\u00edstico, no dia 18 de maio de 1999.<br \/>\nCONTEXTO HIST\u00d3RICO:<br \/>\nApresentada ao p\u00fablico em um per\u00edodo de turbul\u00eancia pol\u00edtica, poucos anos antes do in\u00edcio da ditadura militar, O Pagador de Promessas traz \u00e0 tona uma s\u00e9rie de conflitos entre o Brasil rural e o urbano, muito evidente na onda de moderniza\u00e7\u00e3o que atravessava o pa\u00eds ao longo da d\u00e9cada de 50 e 60. Tais conflitos, na pe\u00e7a, s\u00e3o sintetizados pelo embate entre a cren\u00e7a popular, o sincretismo que formou a tradi\u00e7\u00e3o religiosa brasileira, e o dogmatismo, o ritualismo rigoroso e a burocratiza\u00e7\u00e3o da igreja.<br \/>\nRESUMO DA OBRA:<br \/>\nA hist\u00f3ria se passa na d\u00e9cada de 60, na Bahia, e come\u00e7a com uma promessa. Z\u00e9 do Burro pede que Santa B\u00e1rbara salve seu burro, que fora ferido por um galho de \u00e1rvore. Como na cidade n\u00e3o havia uma igreja dedicada \u00e0 santa, a promessa foi feita em um terreiro de candombl\u00e9, onde a santa ganha o nome de Ians\u00e3.<br \/>\nZ\u00e9 do Burro, portando uma cruz nos ombros, e sua mulher, Rosa, caminham sete l\u00e9guas do sert\u00e3o baiano at\u00e9 Salvador com o intuito de pagar a promessa. Chegam a Salvador de madrugada, alojando-se nas escadarias da igreja dedicada \u00e0 santa. S\u00e3o interpelados pelo sedutor Bonit\u00e3o, que se aproveita da ingenuidade de Z\u00e9 do Burro para seduzir Rosa. A mulher resiste no in\u00edcio, mas acaba por passar a noite com ele em um quarto de hotel.<br \/>\nAo contar ao padre que a promessa fora feita em um terreiro de candombl\u00e9 a Ians\u00e3, Z\u00e9 \u00e9 impedido de entrar na igreja. Obstinado, ele insiste em permanecer, ignorando os apelos da mulher para partirem. Z\u00e9 do Burro torna-se assunto na cidade e acaba alvo de um rep\u00f3rter sensacionalista, que distorce os fatos e o retrata como um messias que apoia a reforma agr\u00e1ria.<br \/>\nAo saber por Marli, uma prostituta apaixonada por Bonit\u00e3o, que Rosa passara a noite com o homem, Z\u00e9 come\u00e7a a dar vaz\u00e3o \u00e0 sua revolta. J\u00e1 Bonit\u00e3o, decidido a se livrar de Z\u00e9 para poder se aproveitar de sua esposa, convence o policial, Secreta, da credibilidade da vers\u00e3o do jornal.<br \/>\nAp\u00f3s muita insist\u00eancia, o Monsenhor tenta persuadi-lo a refazer a promessa para que possa entrar na igreja. Desacatando as considera\u00e7\u00f5es do eclesi\u00e1stico, Z\u00e9 se enfurece e termina autuado pela pol\u00edcia. Recusando-se a ir detido, tenta desesperadamente entrar na igreja com a cruz para cumprir sua promessa, ao que \u00e9 assassinado por Secreta. Os capoeiristas, por fim, fazem entrar, sobre a cruz, seu corpo na igreja.<\/p>\n<p>REFER\u00caNCIAS:<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/l.facebook.com\/l.php?u=https%3A%2F%2Fwww.ebiografia.com%2Fdias_gomes%2F&amp;h=ATPVgZwLxV73GlgvugjkH9dlO4WSgge0Wp9haTkF0I_BRhMFT58QY0k0cWKDLf6OskX80VIr6syr25SWUmLgHDK1RYHsFRZbtRVHKC_uKSMPgY6FgHu6GPulvgMZUWEIpSEU92pWx4J6XI8Pq9n1uQ&amp;enc=AZNwJPE56LJcSaVbKwYaMSCLKrceBl75VWXfJ4vGyxUtBhr6CsUv0EPnKQ7QPsxr43SFIMZd0etdRJGDq2uFdZmQFekEkX1KTuhgxa6QLTO2nBC2THVfm8wMljABAtOtN1gGCqn6yG_fFeMVSTnUbcu1SiFBkVaZEOc3JzIVuBRHWsDT2zRODo7xdsgpVuuvLGDvRuWW7pazsRNPGMRHJzDn&amp;s=1\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">https:\/\/www.ebiografia.com\/dias_gomes\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/educacao.globo.com\/literatura\/assunto\/resumos-de-livros\/o-pagador-de-promessas.html\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">http:\/\/educacao.globo.com\/\u2026\/res\u2026\/o-pagador-de-promessas.html<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;CAPIT\u00c3ES DA AREIA&#8221; DE JORGE AMADO<br \/>\nAutor:<br \/>\nJorge Amado nasceu em Itabuna (BA), em 10 de agosto de 1912, e passou a inf\u00e2ncia em Ilh\u00e9us. Fez os estudos universit\u00e1rios no Rio de Janeiro e depois deixou o Brasil e por cinco anos viveu na Europa e na \u00c1sia. Morreu em 6 de agosto de 2001, em Salvador. \u00c9 o romancista brasileiro mais traduzido e conhecido em todo o mundo.<br \/>\nSuas principais obras s\u00e3o: &#8220;O pa\u00eds do carnaval&#8221; (1930), &#8220;Capit\u00e3es da areia&#8221; (1937), &#8220;Gabriela, cravo e canela&#8221; (1958), &#8220;A morte e a morte de Quincas Berro d\u2019\u00c1gua&#8221; (1961), &#8220;Dona Flor e seus dois maridos&#8221; (1966), &#8220;Tieta do agreste&#8221; (1977) e muitas outras.<\/p>\n<p>Contexto Hist\u00f3rico:<br \/>\nEscrita na \u00e9poca em que a Bolsa de Valores de Nova York quebrou (d\u00e9cada de 1930), a obra mostra a revolta da popula\u00e7\u00e3o nordestina que gerou a Revolu\u00e7\u00e3o de 30. Jorge Amado \u00e9 considerado um dos mais importantes militantes da \u00e9poca e tamb\u00e9m um dos autores respons\u00e1veis pela cria\u00e7\u00e3o de um novo estilo na literatura, onde a linguagem regional e as g\u00edrias locais est\u00e3o presentes.<\/p>\n<p>Resumo da Obra:<br \/>\nA obra conta a vida dos Capit\u00e3es da Areia, um grupo de cerca de 100 garotos abandonados e \u00f3rf\u00e3os que moram em um trapiche na cidade de Salvador, e vivem do furto. A hist\u00f3ria gira em torno das aventuras vividas pelo chefe Pedro Bala, filho de um famoso estivador que morreu numa greve no cais da cidade com um tiro, e as outras crian\u00e7as, das quais se destacam:<br \/>\nSem-Pernas, menino coxo, que guarda um grande \u00f3dio em seu cora\u00e7\u00e3o por toda a sociedade, principalmente pelos policiais, que uma vez o capturaram e o fizeram correr em volta de uma sala enquanto o maltratavam com tapas e chicoteadas. Por ser manco, \u00e0s vezes era usado para assaltos, pois pedia ajuda a fam\u00edlias ricas e ficava na casa at\u00e9 identificar todos os bens valiosos do lugar, e ent\u00e3o informava os amigos;<br \/>\nGato, que recebeu esse nome por ser o mais belo entre os meninos. Gato acaba se apaixonando por Dalva, uma prostituta, que acaba se envolvendo com ele logo ap\u00f3s de ser abandonada pelo amante;<br \/>\nProfessor, o \u00fanico das crian\u00e7as que sabe ler e conta hist\u00f3rias para os outros. \u00c0s vezes, ganha alguns trocados fazendo retratos das pessoas, e a maioria de seus furtos s\u00e3o livros, os quais ele passa a noite lendo iluminado pela luz de uma vela;<br \/>\nPirulito, que ap\u00f3s conhecer o Padre Jos\u00e9 Pedro, descobre um amor incondicional a Deus e sua voca\u00e7\u00e3o religiosa;<br \/>\nVolta Seca, afilhado do famoso Lampi\u00e3o, e que sonha em fazer parte de seu bando quando crescer;<br \/>\nJo\u00e3o Grande, que tem o respeito do resto por seu tamanho e sua bondade;<br \/>\nBoa Vida, garoto que se contenta com pouco e n\u00e3o gosta de trabalho.<br \/>\nAo decorrer da hist\u00f3ria, conhecemos tamb\u00e9m o Padre Jos\u00e9 Pedro, um homem humilde que s\u00f3 conseguiu entrar no semin\u00e1rio com a ajuda de seu ex patr\u00e3o, e que faz de tudo para ajudar os meninos a mudarem de vida; a m\u00e3e-de-santo Don\u2019Aninha, que cuida dos garotos quando est\u00e3o doentes; o capoeirista Querido de Deus, que ensina aos meninos as artes da capoeira e o estivador Jo\u00e3o de Ad\u00e3o, que trabalhou com o pai de Pedro Bala.<br \/>\nEm meio a tantas aventuras dos meninos, Volta Seca e Sem-Pernas passam a trabalhar para o dono de um carrossel que passa pela cidade. O carrossel tr\u00e1s aos meninos, menos que por um pouco tempo, a felicidade de poder brincar como crian\u00e7as novamente.<br \/>\nEm certo momento, a var\u00edola assola a cidade e um menino do grupo contrai a doen\u00e7a e \u00e9 levado para sua fam\u00edlia, mas acaba que a sa\u00fade p\u00fablica descobre e o interna. Um pouco depois, aparecem Dora e Z\u00e9 Fuinha, ela com 13 anos e ele com 6 anos, filhos de v\u00edtimas da var\u00edola, que s\u00e3o encontrados por Jo\u00e3o Grande e Professor e os acolhem, j\u00e1 que os irm\u00e3os n\u00e3o tem para onde ir. De come\u00e7o, os meninos do trapiche tentam abusar de Dora, mas ela \u00e9 protegida por Jo\u00e3o Grande e Professor, e logo depois Pedro Bala percebe que Dora era apenas uma menina, e pro\u00edbe qualquer um de tentar abusar da garota. Em poucos meses, Dora j\u00e1 \u00e9 chamada de irm\u00e3 pelos meninos e j\u00e1 participa dos assaltos. Ela acaba se apaixonando por Pedro Bala, que tem o sentimento rec\u00edproco. Outro que se apaixona pela menina \u00e9 Professor.<br \/>\nEm um assalto a uma casa, Pedro Bala, Dora, Gato, Sem-Pernas e Jo\u00e3o Grande acabam sendo pegos pela pol\u00edcia, mas Pedro Bala consegue libertar os outros, sendo detidos apenas ele e Dora. A menina \u00e9 levada para o orfanato, enquanto ele \u00e9 levado para o reformat\u00f3rio. L\u00e1, ele sofre oito dias dentro da cafua, um quarto em baixo das escadarias onde o menino mal consegue ficar em p\u00e9. L\u00e1 ele fica apenas a base de \u00e1gua e feij\u00e3o, o que o deixa meio doentio. Ap\u00f3s os oito dias passados, ele \u00e9 mandado para trabalhar na colheita de cana, onde consegue se comunicar com os outros capit\u00e3es, que o ajudam a fugir do reformat\u00f3rio. Alguns dias ap\u00f3s a fuga, Bala e seus amigos conseguem retirar Dora do orfanato, de onde a menina sai muito doente. A doen\u00e7a piora depois da fuga, o que entristece todo o trapiche. Don\u2019Aninha tenta ajudar a menina com rezas e rem\u00e9dios caseiros, mas n\u00e3o tem muito sucesso. Ap\u00f3s muita insist\u00eancia de Dora, Pedro Bala consuma o amor dos dois com o ato, e no mesmo dia a menina acaba falecendo. Gato vai para Ilh\u00e9us com Dalva, onde enriquece enganando ricos fazendeiros.<br \/>\nAp\u00f3s algum tempo, os mais velhos do grupo resolvem sair do trapiche e seguirem suas vidas: Professor conhece um senhor que o leva para o Rio de Janeiro, onde ele come\u00e7a a estudar artes e se torna um conhecido pintor. Volta Seca resolve ir para Aracaju, passar um tempo com os \u00cdndios Maloqueiros, os Capit\u00e3es da Areia de Aracaju, mas no meio do caminho ele encontra seu padrinho Lampi\u00e3o, que o aceita no bando. Pirulito se torna capuchinho e parte para ajudar Padre Jos\u00e9 Pedro em sua nova par\u00f3quia. Boa Vida vai aos poucos se distanciando do trapiche, e se torna um malandro da cidade, que gosta de festas e muita farra. Sem-Pernas acaba se jogando do elevador de Salvador numa persegui\u00e7\u00e3o entre a policia e os capit\u00e3es, pois n\u00e3o queria que a policia o capturasse e o maltratasse novamente.<br \/>\nPedro Bala e os meninos que ficaram no trapiche, ent\u00e3o, ajudam Jo\u00e3o de Ad\u00e3o e um amigo, Alberto, numa greve. Ap\u00f3s a greve, Alberto os transforma em uma brigada de choque. Depois disso, Bala recebe a miss\u00e3o de ir a Aracaju transformar a vida dos \u00cdndios Maloqueiros, como Alberto transformou a vida dos Capit\u00e3es da Areia. E ent\u00e3o, ap\u00f3s passar o comando do bando para um outro menino e come\u00e7a a lutar pelos direitos da popula\u00e7\u00e3o, como seu pai fez h\u00e1 tempos.<\/p>\n<p>Refer\u00eancias:<\/p>\n<p>AMADO,Jorge. Capit\u00e3es da Areia. 23. ed. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2009<\/p>\n<p>ESTUDANTE, Guia do. &#8220;Capit\u00e3es da areia&#8221; &#8211; resumo da obra de Jorge Amado. 2014. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/l.facebook.com\/l.php?u=http%3A%2F%2Fguiadoestudante.abril.com.br%2F&amp;h=ATOIyfiyq-GOTBEApPO8aBhtuejQK79UljX17QmzYLIwK2Qi1gFkXL7WeocljpIU-V_9aWqj6w9ovIUV6i6nbm3xBRNUaDD4gOlCbKGEqjX7zFIzj4ovUZhdCjXn196E0rC2m24biUTi2LDbuBBcIw&amp;enc=AZMwm04Hzlr1kAg9CEJD8jBTUqJ-x79hKDynV5fezJhV19OoG_UCIN_raDRQBwzBRZexHxMHYqQWinVyQf4MqMkfDefpE7qq4UzQFzkB_Es0lGT1jwCZssgEmlmeREEG5nUiUP5-c___mRzrssuVNVzN2Gd6Q3z8Sz-thIfZhyIJXymoIk7sHpp1q-3rzOENlk_4Q3LS1nliZSkDr0Xz0i8_&amp;s=1\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">http:\/\/guiadoestudante.abril.com.br<\/a>&gt;. Acesso em: 06 jun. 2014<br \/>\nBRASIL, Universia. Estude os livros obrigat\u00f3rios da Fuvest e Unicamp 2013: Capit\u00e3es da Areia, de Jorge Amado. 2012. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/l.facebook.com\/l.php?u=http%3A%2F%2Fnoticias.universia.com.br%2F&amp;h=ATNNnopN6KCxS1KXT4nx_YcxZnkbBMzyhoGXyJUFENXwA6GFX_6Y5R4NiEOwiBCk9AurldgQSuCJ6uXml40clIxhJckknelG7-hTq9mFoJ3-23jTVnCV1MjFMnYi759usiYHaGDFtOs5-KY2vCzCoA&amp;enc=AZOQG2rHgI0rDeVgXU2Je3cJX7Qf3bui7PY5xx3XY9KqGncOyAkbug0zRI_obbW2_5bmdgawmqbh1BcwpmS_okDNqkx8qpe3CmYyzQJ67peml_CnfuB3ieSXkfYmZl-sZF-jTmD7EY8yTNDnqqD09k7GHwBMNmT1gR6YtgKwqyoz0yAdDBYBjMHqW3tsv-qrx5RzykVIeWG0MugGxBomdFD7&amp;s=1\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">http:\/\/noticias.universia.com.br<\/a>&gt;. Acesso em: 06 jun. 2014.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>CONTOS DA MONTANHA \u2013 MIGUEL TORGA<\/p>\n<p>SOBRE O AUTOR:<br \/>\nEscritor portugu\u00eas natural, de S\u00e3o Martinho de Anta, Vila Real. Proveniente de uma fam\u00edlia humilde teve uma inf\u00e2ncia rural dura, que lhe proporcionou conhecer a realidade do campo, feita de \u00e1rduo trabalho cont\u00ednuo. Ap\u00f3s uma breve passagem pelo semin\u00e1rio de Lamego, emigrou com 13 anos para o Brasil, onde durante cinco anos trabalhou na fazenda de um tio, em Minas Gerais, como capinador, apanhador de caf\u00e9, vaqueiro e ca\u00e7ador de cobras. De regresso a Portugal, em 1925, concluiu o ensino liceal e frequentou em Coimbra o curso de Medicina, que terminou em 1933. Exerceu a profiss\u00e3o de m\u00e9dico em S\u00e3o Martinho de Anta e em outras localidades do pa\u00eds, fixando-se definitivamente em Coimbra, como otorrinolaringologista, em 1941. Miguel Torga era ligado inicialmente ao grupo da revista Presen\u00e7a.<\/p>\n<p>CONTEXTO HIST\u00d3RICO:<br \/>\nMiguel Torga faz parte do Presencismo, movimento liter\u00e1rio de grande relev\u00e2ncia. O Presencismo, tamb\u00e9m conhecido como a segunda fase do modernismo portugu\u00eas, teve in\u00edcio no ano de 1927 com a publica\u00e7\u00e3o da Revista Presen\u00e7a: Folha de Arte e Cr\u00edtica. Revista Presen\u00e7a reuniu aqueles que n\u00e3o participaram do Orfismo em virtude de diverg\u00eancias est\u00e9ticas. Ao contr\u00e1rio do Orfismo, que tinha como objetivo apresentar uma poesia que rompesse com os padr\u00f5es liter\u00e1rios vigentes, chocando e provocando a cr\u00edtica e p\u00fablico, sobretudo a burguesia, o Presencismo tinha como ideal interrogar o sentido da exist\u00eancia humana.<\/p>\n<p>RESUMO DA OBRA:<br \/>\nContos da Montanha remete o leitor para um espa\u00e7o situado no interior, composto por 23 contos, neste livro Miguel Torga apresenta aos seus leitores textos que representam descri\u00e7\u00f5es do comportamento humano, das suas emo\u00e7\u00f5es e dos seus sentimentos. O leitor da obra deve voltar sua aten\u00e7\u00e3o para o que existe de comum nos 23 contos, que est\u00e1 altamente voltado para as a\u00e7\u00f5es humanas, pois, Miguel Torga traz fortes tra\u00e7os do humanismo em suas obras, dentro dos contos as pessoas s\u00e3o her\u00f3is e sobreviventes da suas vidas de mis\u00e9ria, de fome e de sofrimentos.<\/p>\n<p>Os 23 contos s\u00e3o: A Maria Lion\u00e7a; Um roubo; Amor; Homens de Vilarinho; O Cavaquinho; A ressurrei\u00e7\u00e3o; Um filho; A promessa; Maio mo\u00e7o; O bruxedo; A paga; Inimigas; Solid\u00e3o; A ladainha; O vinho; O lugar de sacrist\u00e3o; Justi\u00e7a; A vindima; Um cora\u00e7\u00e3o desassossegado; A revela\u00e7\u00e3o; O desamparo de S. Frutuoso; O castigo; O p\u00e9 tolo.<\/p>\n<p>Vejamos resumidamente tr\u00eas dos vinte e tr\u00eas contos:<\/p>\n<p>&#8220;A Maria Lion\u00e7a&#8221;<br \/>\nMaria Lion\u00e7a \u00e9 a personagem principal deste conto. Maria \u00e9 uma mulher respeitada, amada, pobre, bonita, forte. Ela viveu em Galafura durante setenta anos onde encontrou o amor da sua vida, Louren\u00e7o Ruivo, com quem se casa e tem um filho, Pedro. Louren\u00e7o acaba lhe provocando um grande desgosto de amor, pois Ruivo foge para o Brasil sem dar noticias. Quinze anos depois ela acaba o perdoando quando ele volta \u00e0 terra muito doente, onde morre passado pouco tempo, Maria fica de novo sozinha cuidando do filho, que tamb\u00e9m acaba adoecendo e por consequ\u00eancia morre nos bra\u00e7os da m\u00e3e e ela morre tamb\u00e9m ao final do conto, depois de uma vida dedicada a ajudar os outros.<\/p>\n<p>\u201dO cavaquinho\u201d<br \/>\n\u00c9 narrada a hist\u00f3ria de uma fam\u00edlia muito pobre que vivia num casebre a &#8220;tr\u00eas l\u00e9guas&#8221; de Vilela, onde o pai, chefe de fam\u00edlia, promete uma prenda de Natal ao filho de 10 anos, pelo seu bom desempenho no primeiro exame da escola. A crian\u00e7a estava entusiasmada e bastante curiosa em saber o que iria receber, uma vez que j\u00e1 conhecia os fracos rendimentos dos pais e aquela situa\u00e7\u00e3o, o fato de poder receber algo novo e &#8220;gratuito&#8221;, deixava-o fascinado. Por\u00e9m, na noite em que, supostamente, iria descobrir o que seria a sua recompensa, recebe a triste noticia de que o pai falecera com uma facada, perto de um cavaquinho que lhe trazia. Um conto que come\u00e7a por uma not\u00edcia boa (o exame do filho e promessa da oferta de uma prenda) e termina com a morte do pai, de forma dram\u00e1tica.<\/p>\n<p>\u201cHomens de Vilarinho\u201d<br \/>\nNeste conto Torga conta a hist\u00f3ria de Firmo, personagem cuja principal marca \u00e9 a infidelidade \u00e0 terra natal. Nem o fato de ter mulher e filhos a zelar o prendia ao territ\u00f3rio. Ali\u00e1s, as suas visitas a Vilarinho duravam pouqu\u00edssimo tempo. Foram in\u00fameras as tentativas do padre Jo\u00e3o, p\u00e1roco do povoado, para convenc\u00ea-lo da necessidade de corrigir-se, mas o \u201cdesejo de mundos\u201d que tinha Firmo, n\u00e3o o permitia ficar. Por possuir esse car\u00e1ter, Firmo \u00e9 caracterizado no conto como aquele que \u201cdesorientava Vilarinho\u201d. Por n\u00e3o cultivar o sentimento de perten\u00e7a \u00e0 terra nem \u00e0 casa, de maneira mais espec\u00edfica, o seu lugar na narrativa \u00e9 a de um desordenado, um desertor.<\/p>\n<p>REFER\u00caNCIAS:<\/p>\n<p>TORGA, Miguel. Contos da montanha. 9. ed. Lisboa: Dom Quixote, 1999. 214p. (Biblioteca de bolso)<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/virtualiaomanifesto.blogspot.com.br\/2008\/01\/contos-da-montanha-miguel-torga.html\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">http:\/\/virtualiaomanifesto.blogspot.com.br\/\u2026\/contos-da-mont\u2026<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8221; PONCI\u00c1 VIC\u00caNCIO&#8221;, DE CONCEI\u00c7\u00c3O EVARISTO<\/p>\n<p>SOBRE A AUTORA<br \/>\nConcei\u00e7\u00e3o Evaristo nasceu em 1946, em Belo Horizonte. Filha de lavadeira, cresceu rodeada por hist\u00f3rias que os mais velhos lhe contavam. Concei\u00e7\u00e3o \u00e9 reconhecida no plano nacional e internacional como escritora brasileira afrodescendente militante em defesa dos direitos do movimento negro. Formou-se mestre em Literatura Brasileira pela Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio de Janeiro e Doutora em Literatura Comparada na Universidade Federal Fluminense, atualmente leciona na Universidade Federal de Minas Gerais. Publicou seu primeiro poema em 1990, na s\u00e9rie Cadernos Negros, editado pelo grupo Quilombhoje, de S\u00e3o Paulo. Desde ent\u00e3o, publicou diversos outros poemas e contos nos Cadernos. Suas obras, em destaque o romance Ponci\u00e1 Vic\u00eancio (2003), abordam temas sobre a identidade negra, a discrimina\u00e7\u00e3o racial e a desigualdade social.<\/p>\n<p>SOBRE A OBRA<br \/>\nPonci\u00e1 Vic\u00eancio, indicado ao vestibular 2016 da UNICENTRO \u00e9 o primeiro romance afro-brasileiro escrito por Concei\u00e7\u00e3o Evaristo. O enredo abordado sob a perspectiva feminina afrodescendente, tra\u00e7a a trajet\u00f3ria desde os primeiros meses de vida at\u00e9 a fase adulta da protagonista. O narrador, na terceira pessoa, leva o leitor a conhecer os caminhos percorridos por Ponci\u00e1 Vic\u00eancio, em um constante di\u00e1logo entre o passado e o presente; a desesperan\u00e7a com o futuro e a busca da sua identidade ancestral, s\u00e3o os temas que rodeiam a narrativa.<br \/>\nO romance se apresenta de maneira fragmentada, atrav\u00e9s de flashbacks, retoma a inf\u00e2ncia e volta \u00e0 fase adulta quase no mesmo instante. Ponci\u00e1, guarda na mem\u00f3ria detalhes da vida ao lado da fam\u00edlia na vila rural, a sua semelhan\u00e7a com o av\u00f3 Vic\u00eancio, escravo liberto e de bracinho cot\u00f3, que assim como Ponci\u00e1, vivenciou sucessivas perdas at\u00e9 fechar-se em si num grande vazio existencial. A m\u00e3e da protagonista, Maria Vic\u00eancio, aparece constantemente na narrativa, ora para relembrar o trabalho artesanal que elas faziam com o barro, ora tomado pelo sentimento de saudade. Al\u00e9m disso, Ponci\u00e1 Vic\u00eancio relata sobre pouco contato que tinha com o pai e o irm\u00e3o, Luandi, devido ao trabalho na ro\u00e7a nas fazendas dos brancos, relembra que embora o contato fosse m\u00ednimo, sentia imensa ternura pelos seus.<br \/>\nNa atual fase a protagonista se mostra abatida, olhando pela janela, esquecida em meio \u00e0 favela, seu desejo \u00e9 reencontrar a m\u00e3e e o irm\u00e3o que deixou quando partiu para a cidade grande. Fadada \u00e0 imobilidade de sua sina, tornou-se uma esp\u00e9cie de farrapo humano, ap\u00f3s sofrer sucessivos abortos e vivendo ao lado de um marido agressivo que n\u00e3o a compreende, Ponci\u00e1 guarda suas economias do trabalho de dom\u00e9stica com a esperan\u00e7a, m\u00ednima que lhe resta, de reunir novamente a sua fam\u00edlia.<br \/>\nPara a tristeza de Maria Vic\u00eancio, Luandi tamb\u00e9m decide migrar para a cidade grande. Na capital faz amizade com o soldado Nestor e come\u00e7a a trabalhar como faxineiro na delegacia, aprende a ler e escrever almejando tornar-se soldado. Apaixona-se pela prostituta Bisila, por\u00e9m o assassinato da mo\u00e7a interrompe os sonhos do jovem casal.<br \/>\nMorando sozinha na vila rural, Maria Vic\u00eancio, decide ir ao encontro dos filhos. Enquanto isso, Luandi, com a farda emprestada do soldado Nestor, tamb\u00e9m retorna \u00e0 vila e n\u00e3o encontra a m\u00e3e, l\u00e1 se depara com N\u00eangua Kainda, uma velha s\u00e1bia da regi\u00e3o que no passado profetizou sobre o cumprimento da heran\u00e7a ancestral de Ponci\u00e1, esta diz a Luandi que ele reencontrar\u00e1 a m\u00e3e e a irm\u00e3. Sofrendo com saudades da fam\u00edlia, Ponci\u00e1 rememora as lendas que lhe eram contadas sobre o arco-\u00edris na inf\u00e2ncia, do contato com barro, de sentir-se viva, e assim como o artesanato que fazia deseja moldar-se, unir-se como a \u00e1gua e o barro, criando a partir dessa uni\u00e3o algo s\u00f3lido capaz de juntar os seus peda\u00e7os. Decide ent\u00e3o, retornar \u00e0 cidade natal, na esta\u00e7\u00e3o de trem acontece o reencontro inesperado da fam\u00edlia Vic\u00eancio. O desfecho do livro vai al\u00e9m do reencontro dos tr\u00eas, \u00e9 o encontro do rio com o barro, o preenchimento do vazio interior de Ponci\u00e1, o contato com as suas ra\u00edzes e o retorno \u00e0 sua ancestralidade.<\/p>\n<p>REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS<br \/>\nDINON\u00cdSIO, Dejair. Ancestralidade Bantu na Literatura Afro-brasileira: Reflex\u00f5es Sobre o Romance \u201cPonci\u00e1 Vic\u00eancio\u201d, de Concei\u00e7\u00e3o Evaristo. Belo Horizonte: Nandyala, 2013.<\/p>\n<p>EVARISTO, Concei\u00e7\u00e3o. Ponci\u00e1 Vic\u00eancio. 2. ed. Belo Horizonte: Mazza Edi\u00e7\u00f5es, 2005.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/blogueirasfeministas.com\/2011\/11\/conceicao-evaristo\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">http:\/\/blogueirasfeministas.com\/2011\/11\/conceicao-evaristo\/<\/a>, acessado em: 23\/08\/2016, \u00e0s 13:30.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cMEM\u00d3RIAS DE UM SARGENTO DE MIL\u00cdCIAS\u201d, DE MANUEL ANT\u00d4NIO DE ALMEIDA<\/p>\n<p>AUTOR<br \/>\nManuel Ant\u00f4nio de Almeida nasceu no dia 17 de novembro de 1830, na cidade do Rio de Janeiro. Ele concluiu o Doutorado em Medicina no Rio de Janeiro em 1855, mas nunca exerceu a profiss\u00e3o. O autor atuou como funcion\u00e1rio p\u00fablico, administrador da Tipografia Nacional e oficial do Minist\u00e9rio da Fazenda. O escritor tamb\u00e9m foi jornalista, colaborando com artigos para o Correio Mercantil de 1854 a 1856, e a \u00fanica produ\u00e7\u00e3o dele \u00e9 esse romance, Mem\u00f3rias de um Sargento de Mil\u00edcias, inicialmente impresso em folhetins e depois em um livro de dois tomos, publicados em 1854 e em 1855.<\/p>\n<p>CONTEXTO HIST\u00d3RICO<br \/>\nO per\u00edodo em que a Coroa Portuguesa se instalou no Brasil foi um momento cr\u00edtico na nossa hist\u00f3ria, em virtude das mudan\u00e7as sociais a que foram submetidas o povo brasileiro. O primeiro momento de descontentamento foi quando os moradores das melhores resid\u00eancias tiveram que abrir m\u00e3o de suas moradias em detrimento da aristocracia portuguesa. Em seguida, os gastos exorbitantes da Fam\u00edlia Real agravavam a crise econ\u00f4mica, a fome e a mis\u00e9ria na qual viviam os brasileiros. Esse sentimento de cr\u00edtica permeia a obra toda, que passa \u201calfinetar\u201d o comportamento do povo diante de tal situa\u00e7\u00e3o: todos buscavam obter algum tipo de vantagem.<\/p>\n<p>RESUMO DA OBRA<br \/>\nLeonardo Pataca e Maria da Hortali\u00e7a se conheceram no navio que vinha para o Brasil. Como sinal de interesse os dois trocam \u201cuma pisadela\u201d e \u201cum belisc\u00e3o\u201d, e assim passam a namorar. Logo ap\u00f3s casaram e tiveram um filho chamado Leonardo. Maria da Hortali\u00e7a abandona o marido e vai embora para Lisboa, com o capit\u00e3o do navio. Pataca recusa-se a criar o filho, deixando-o com o padrinho, o Barbeiro, que passa a dedicar ao menino cuidados de pai. Pataca se envolve com uma cigana, que tamb\u00e9m o abandona. Para tentar recupera-la, recorre \u00e0 feiti\u00e7aria, pr\u00e1tica proibida na \u00e9poca. Flagrado pelo Major Vidigal, vai para a pris\u00e3o, mas \u00e9 solto em seguida. Leonardo era desde pequeno manhoso e arteiro, seu padrinho sonhava torna-lo padre. Ent\u00e3o Leonardo, convence o a permitir que ele frequente a Igreja na condi\u00e7\u00e3o de coroinha, o padrinho aceitou alegremente o pedido do afilhado, vendo a\u00ed uma oportunidade para dar um futuro a ele, mas tempo depois o menino foi expulso de tanto aprontar. J\u00e1 rapaz levava uma vida de vadio. Ele e seu padrinho passaram a frequentar a casa de D. Maria. Com o tempo o menino foi sossegando, at\u00e9 que chegou a idade dos amores e se apaixona por Luisinha, uma menina descrita como feia e que era filha do rec\u00e9m-falecido irm\u00e3o de D. Maria. Por\u00e9m, ao tentar conquistar Luisinha, Leonardo faz com que ela se afaste, mais tarde ela se casa com Jos\u00e9 Manuel. O Barbeiro morre e deixa uma heran\u00e7a para o afilhado. Leonardo volta a viver com o pai, mas tem um desentendimento e foge. Envolve-se com a mulata Vidinha e passa a sofrer as persegui\u00e7\u00f5es do Major Vidigal. Para n\u00e3o ser preso, \u00e9 for\u00e7ado a se alistar, mas ele continua a aprontar dentro do Batalh\u00e3o da Pol\u00edcia e acaba preso. Com a ajuda de Maria Regalada, antiga amante de Vidigal, que lhe promete a retomada do antigo afeto, Vidigal perdoa Leonardo e ainda promete promove-lo a sargento do ex\u00e9rcito. Ele reencontra-se com Luisinha, ent\u00e3o rec\u00e9m-vi\u00fava, e os dois reatam o namoro e se casam. Com a morte de D. Maria e de Leonardo Pataca, o casal toma posse de suas heran\u00e7as.<\/p>\n<p>REFER\u00caNCIAS<\/p>\n<p>ALMEIDA Manuel Antonio de, Mem\u00f3rias de um sargento de mil\u00edcias. S\u00e3o Paulo: \u00c1tica, S\u00e9rie Bom Livro, 1991.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/l.facebook.com\/l.php?u=http%3A%2F%2Fguiadoestudante.abril.com.br%2Festudar%2Fliteratura%2Fmemorias-sargento-milicias-resumo-obra-manuel-antonio-almeida-700296.shtml&amp;h=ATP-kR4m28x8i3pMMCofvNRodVJTeNqxuvTCuBuYDO5BHzdOLwnVekGq8IBRVFAGhdTMZIfO-0k_Y1_7rpUhnKXQ692bRA_SA9kWiQRESWQg5Z2HwXWxuCKpvU_TGz8PTI-rlY9s8pr_DwItn2qXbw&amp;enc=AZPsDqcHu91fnVT9a28sqLWNOTyoOIiSrfyO_wR27Pnpz2vf8RWM04Q2RjsPt0YqEmJ2THh_3gZqrwIIiicc6s_nYO8jZpWBcvA8xzcEmd_V6LoqreXJKvtzd-5DAD0tvkO7MaF_ufZcYG0vFwvns5DPpP_cKt_qy3w4LsjPhqwu-N1k48uYHJTpeKlh7TO3_3UXQPDq6SSobzv4xaPI7cyG&amp;s=1\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">http:\/\/guiadoestudante.abril.com.br\/\u2026\/memorias-sargento-mil\u2026<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/l.facebook.com\/l.php?u=http%3A%2F%2Fnoticias.universia.com.br%2Fdestaque%2Fnoticia%2F2012%2F02%2F24%2F913502%2Festude-os-livros-obrigatorios-da-fuvest-e-unicamp-2013-memorias-um-sargento-milicias-antonio-manuel-almeida.html&amp;h=ATMNqjtplwO61ptaj_HtbspmhidVTRII3UnLIAnMGD9olr_z9QfhYJoF27PvkL3xJMkPfit1na5rZJqsje8hN1vKloGSfj9MyxF_jsXyBqVf_QpKEyxhyNfJwXwQNbx2QHbJby2Q53iW2CnBbjrpKQ&amp;enc=AZMaq_PXbB4xy6dqT4Jg8towaUasviIhb-MsDY5s8dGYEEuZj_GgjIVjLZwFLHwhegssyrKMnAXPM3HOTR2oq3whPBXtQZ9bKNgiUDphTGcn0c2XQpKGyPDZLK_pUdCBsvJJeJkEWz9dtOnVtRyEEXTHVki53r_dGNsWstvm2kaGBPs_DV3F8layjLiqfW7UC-xhulYo4e_hZjhPdZ2TqIsn&amp;s=1\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">http:\/\/noticias.universia.com.br\/\u2026\/estude-os-livros-obrigat\u2026<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Viagem no Espelho &#8211; Helena Kolody Autora: A poeta Helena Kolody, filha de imigrantes ucranianos, \u00e9 um dos nomes mais expressivos da poesia contempor\u00e2nea paranaense. 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