História e regiões

A área de concentração “História e Regiões” reúne investigações sobre narrativas que evidenciam conceitos, usos e significados de “regiões” e seus elementos constituintes. Embora “região” permita várias interpretações, aqui ela é tomada no plural “regiões” – para caracterizar uma noção historiográfica que compreende campos de forças de intensidades diversas, ora convergentes, ora conflitantes, como constituintes das práticas sociais e simbólicas que dão nexo a sujeitos, suas identidades, alteridades e relações com o ambiente, em múltiplas temporalidades.

A história problematiza as regiões como elementos que se estendem além do caráter de simples cenário, suporte ou delimitação, configurando-se, portanto, como essenciais e próprios do objeto do historiador. As regiões são concebidas como invenções humanas que possuem historicidade, como objetos em permanente construção e desconstrução. Parte-se do princípio de que toda construção de regiões pelos sujeitos é, inerentemente complexa, uma vez que estabelecem relações conflituosas, táticas e/ou estratégicas, afrontando, mobilizando e/ou confirmando macro e micro poderes políticos, bem como práticas e saberes. Tais sujeitos produzem e são produzidos por fronteiras de exclusão e inclusão, isto é, regiões que possibilitam a sua existência. Baseia-se, assim, na ideia de que as regiões são compostas por fronteiras, aqui significadas para além de seu aspecto geográfico, sob a forma de limites fluidos e permeáveis que estabelecem diferenças e identificações.

Enfatiza-se os saberes e as práticas políticas de divisão, de diferenciação, de produção de enunciados tidos como verdadeiros e legítimos, na fabricação de identidades e tradições. O ato da escrita da história é concebido como ação reconstrutora de tramas, esforço compreensivo e cartográfico, desenvolvido em vista do espaço de emergência dos acontecimentos, onde os sujeitos criam, inventam e, também, são agenciados por práticas de poder e saberes que os constituem, os classificam, os diferenciam e os explicam.

Trata-se, portanto, de entender como as práticas de poderes e saberes são (re)produzidos e/ou ativados e, ao mesmo tempo, engendram regiões. Pressupõe-se, igualmente, que as identidades assim constituídas são performances sobrepostas umas às outras, num movimento vinculado à dinâmica histórica, visto que: por um lado, os personagens são identificados e localizados estrategicamente; por outro, inventam formas táticas de convivência e subjetivação.